Sofia cambaleou em direção a um parque próximo; Os bancos frios eram seu último refúgio. Ao cair da noite, ela se encolheu em um deles, agarrando a barriga como se quisesse proteger a pequena fagulha de esperança que crescia dentro dela.
“Ei, garota, pare aí mesmo!” gritou uma voz rouca, seguida por uma risada maliciosa.
Sofia se virou e viu três figuras emergindo das sombras, com olhares ameaçadores.
“O que vocês estão…?”
“Fazendo aqui a essa hora? Estamos procurando diversão, e você é perfeita para nós”, zombou um deles, aproximando-se com um sorriso torto.
Sofia não conseguiu falar; apenas recuou em pânico.
“Não corra. Aonde você pensa que vai?”
Sofia saiu correndo; lágrimas se misturavam à chuva enquanto ela avançava às cegas. Seu coração batia forte no peito. O chão escorregadio ameaçava fazê-la tropeçar a cada passo, mas seu instinto de sobrevivência a mantinha em movimento. O som dos passos que se aproximavam era ensurdecedor. Por pura sorte, ela escapou por um beco estreito e os despistou. Desabou, o corpo tremendo de medo e exaustão.
“Por que… por que todos me odeiam?”, sussurrou, a voz abafada pela chuva.
Naquela noite, Sofia se encolheu sob uma árvore no parque. A chuva era implacável e o frio penetrava em seus ossos. Ela não sabia quando adormeceu. Em seus sonhos, seus pais apareceram: em vez de amor, havia apenas desprezo e indiferença.
“Sofia, você merece”, a voz de Isabel trovejou, despertando-a de repente.
Ela abriu os olhos; seu corpo doía de frio. Uma febre alta nublava sua mente e seus lábios estavam pálidos.
“Vou morrer aqui?”, o pensamento passou por sua mente, fugaz e aterrador.
Lá fora, a chuva continuava a cair, mas Sofia não tinha mais forças para suportá-la. Tudo estava embaçado diante de seus olhos.
“Filha, o que você está fazendo aqui?” Uma voz calorosa e idosa rompeu a neblina.
Sofia conseguiu distinguir a silhueta de uma mulher debruçada sobre ela; um grande guarda-chuva protegia ambas da chuva.
“Eu… eu…” Sofia não conseguiu responder e desabou nos braços da estranha.
“Não tenha medo, coitadinha. Eu vou te ajudar”, disse a mulher, erguendo-a com suas mãos envelhecidas.
“Quem é você?”, murmurou Sofia, fechando os olhos de exaustão.
“Sou apenas uma velha padeira. Mas você não pode ficar aqui com esse temporal.”
Margaret levou Sofia até sua pequena padaria na esquina da rua. A casa era modesta, mas aconchegante, repleta do aroma reconfortante de doces; um contraste gritante com o frio lá fora.
“Sente-se aqui, vou preparar um chá quente para você”, disse Margaret, acomodando-a em uma cadeira. Ela a olhou com compaixão: a menina estava encharcada e tremendo.
Pela primeira vez em dias, Sofia sentiu um lampejo de calor graças à gentileza de uma estranha. No fundo, porém, a dor permanecia como uma ferida aberta.
Na manhã seguinte, Sofia acordou em uma cadeira de madeira na padaria. Sua cabeça ainda latejava por causa da febre da noite anterior. O aroma de pão fresco fez seu estômago roncar: ela não comia há dois dias.
“Você acordou. Aqui, tome um pouco de leite morno”, disse Margaret gentilmente, colocando um copo e um pedaço de pão sobre a mesa. Ela a olhou com preocupação: a menina estava pálida e frágil.
“Obrigada”, Sofia sussurrou fracamente. O cansaço ainda persistia em seus olhos; ela não estava acostumada à gentileza, especialmente vinda de uma estranha.
“Não se preocupe. Não preciso saber o que aconteceu, mas é claro que você precisa de ajuda”, disse Margaret, firme e calma. “Coma e descanse. Conversaremos depois.”
Sofia pegou o pão com as mãos trêmulas de fome e exaustão, mas, ao levá-lo aos lábios, um nó se formou em sua garganta. As palavras cruéis de seus pais ecoaram em sua mente. Ela largou o pão; lágrimas silenciosas escorreram por seu rosto.
“O que houve?”, perguntou Margaret, sentando-se ao lado dela.
“Eu… eu não mereço comer. Sou uma vergonha para minha família”, soluçou Sofia.
Margaret ficou em silêncio por alguns segundos e então gentilmente pegou as mãos ossudas da menina.
“Escute, menina. Ninguém merece ser tratado assim. Eu não sei o que você passou, mas sei que você é boa e merece viver.”
Com a ajuda de Margaret, Sofia começou a trabalhar na pequena padaria. Embora o trabalho não fosse pesado, os olhares julgadores de alguns clientes a deixavam nervosa.
“Quem é aquela garota?”, sussurrou uma mulher para Margaret, com uma expressão suspeita. “Não gosto dela. Não deixe que ela arruine sua reputação.”
“O que eu faço não é da sua conta. Se não gosta, vá para outra padaria”, respondeu Margaret, irritada.
Mas nem todos eram gentis. Certa tarde, enquanto Sofia limpava as mesas, um homem de casaco pesado entrou. Era Esteban, o dono do mercadinho próximo, conhecido por ser mesquinho e intrometido.
“Margaret, preciso conversar”, disse ele, lançando um olhar de reprovação para Sofia.
“O que houve, Esteban?”
⏬️⏬️ Continua na próxima página ⏬️⏬️
