“Casei-me com um homem cego porque pensei que ele não veria minhas cicatrizes, mas na nossa noite de núpcias, ele sussurrou algo que me arrepiou até os ossos.”

“Eu não tinha certeza… não completamente. Até que me aproximei. Você estava cantarolando. Aquela mesma melodia que você sempre canta quando está nervosa. Foi aí que eu soube que era você.”

“Então… por que você não disse nada?”

Ele largou o violão e sentou-se ao meu lado. “Porque eu queria ter certeza de que meu coração a ouviria ainda mais alto do que meus olhos a viam.”

Desabei em lágrimas. Passei anos me escondendo do mundo, convencida de que o amor era uma luz que eu não merecia mais. E ele estava lá, me vendo quando eu não queria ser vista. Me amando sem que eu precisasse me consertar.

“Estou com medo, Obinna”, sussurrei. Ele pegou minhas mãos. “Eu também”, disse ele. “Mas você me deu um motivo para abrir os olhos. Deixe-me ser o seu motivo para mantê-los abertos também.”

Naquele dia, caminhamos até o mesmo jardim, de mãos dadas. Pela primeira vez, tirei meu véu em público. E pela primeira vez… não hesitei quando o mundo olhou para mim.

Episódio 3: O Segredo da Fotógrafa

O álbum de fotos chegou uma semana depois do nosso casamento. Era um presente surpresa dos alunos de Obinna: uma coleção de fotos espontâneas do grande dia, amarradas com uma fita dourada, com votos sinceros.

Hesitei em abri-lo. Não tinha certeza se queria ver o que o mundo tinha visto naquele dia. O que a lente havia capturado por baixo do meu vestido de gola alta e do meu sorriso ensaiado.

Mas Obinna insistiu. “Vamos olhar para o nosso amor através dos olhos deles”, disse ela.

Então nos sentamos no tapete da sala, folheando as páginas. As primeiras fotos me fizeram sorrir: nossa primeira dança, os dedos dele deslizando pela minha palma, meu véu esvoaçando enquanto ele sussurrava algo que me fez rir baixinho.

Então chegamos àquela foto. Aquela que me deixou sem fôlego. Não era posada. Não tinha sido retocada. Era crua.

Eu estava perto da janela, de olhos fechados, a luz projetando sombras suaves no meu rosto. Uma única lágrima escorreu pela minha bochecha. Eu não sabia que alguém estava me observando. Mas alguém estava.

Havia uma frase escrita em letras pequenas abaixo da foto: “A força carrega suas cicatrizes como medalhas.” — Tola, fotógrafa

Obinna tocou a ponta da página e disse: “Esta é a que eu vou emoldurar.”

Engoli em seco. “Você não quer… a foto em que estou sorrindo?”

Ele olhou para mim. “Não. Aquela foto é linda. Mas esta é sincera. Ela me lembra da jornada que você percorreu.” E da jornada que percorreremos juntas.”

Apertei o álbum contra o peito e assenti.

Mais tarde naquela noite, liguei para a fotógrafa. “Tola?”, perguntei nervosamente. Uma voz calorosa respondeu: “Sim, sou eu.”

“Eu só queria te agradecer… pelo que você escreveu.”

Houve uma pausa, depois um suspiro suave. “Talvez você não se lembre de mim”, disse ela. “Mas quatro anos atrás, você me ajudou no mercado. Eu estava grávida. Desmaiei. As pessoas passaram direto por mim… menos você.”

Arfei. “Eu não vi seu rosto naquele dia”, continuou ela. “Só sua voz. Sua gentileza.” Você ficou comigo.”

A linha ficou em silêncio. Então ela disse: “Então, quando eu te vi no casamento… eu soube que estava fotografando uma mulher que não tinha noção da própria beleza.”

Desliguei e chorei. Não de dor. Mas daquele tipo de cura que eu nunca pensei que encontraria. Porque toda vez que eu pensava que era invisível… Alguém tinha me visto. E se lembrava.