Encontrei um pen drive dentro de uma salsicha comum. A princípio, pensei que tivesse caído acidentalmente na comida, até verificar o conteúdo.

Um homem olhava para a câmera. Sua cabeça estava levemente inclinada. Seu sorriso era largo demais para ser natural. Um sorriso congelado, quase forçado. Seus olhos, porém, não sorriam.

Pareciam me encarar.

Como se ele soubesse exatamente onde eu estava.

Permaneci sentada, imóvel, um arrepio percorrendo minha espinha. O silêncio do apartamento de repente pareceu pesado, denso. Cada som — o zumbido da geladeira, o tique-taque do relógio — parecia amplificado.

Quem era aquele homem?

Por que essa chave?

Por que eu?

Fechei a imagem. Ejetuei a chave. Coloquei-a sobre a mesa, como se pudesse se mover.

Desde então, não consigo me decidir.

Chamar a polícia? Jogar tudo fora e fingir que nada aconteceu?

Mas uma coisa é certa.

Toda vez que abro minha geladeira, tenho a sensação de que há algo mais lá dentro do que se vê à primeira vista.

E sei que nunca mais olharei para as salsichas compradas no supermercado da mesma maneira.