Minutos depois, o guincho chegou.
Enquanto começavam a engatar o carro, a janela do terceiro andar se abriu de repente.
Camila espiou para fora, com o rosto pálido.
Não de preocupação.
De medo.
Um olhar que dizia tudo. Ela desceu correndo as escadas.
“O que está acontecendo? Por que estão levando o carro?”
Levantei-me devagar.
“O mecânico disse que dirigir com esses freios seria fatal.”
Nos entreolhamos.
Nada mais precisava ser dito.
Ela sabia que eu sabia.
A decisão: sobreviver primeiro, agir depois. Eu poderia ter ido direto à polícia. Mas eu sabia que, sem provas, eles só me rotulariam como um velho paranoico.
Eu precisava de apoio de verdade. Naquele mesmo dia, peguei um táxi para visitar meu velho amigo Rubén, um ex-colega da fábrica.
Quando terminei de lhe contar tudo, ele simplesmente disse:
“Primeiro reunimos as provas. Depois conversamos.”
As peças começaram a se encaixar
Durante aquela semana, tudo fez sentido:
A comida que Camila me trazia e depois me deixava dormindo por quase o dia inteiro.
A insistência dela em vender meu apartamento.
