Vendi minha casa em poucas semanas. Cada cômodo em que morei por décadas, cada móvel que guardava memórias, cada objeto que contava a história da minha vida como mãe — deixei tudo ir. O dinheiro deixou de ser algo para guardar. Tornou-se algo para gastar se significasse mais um tratamento, mais uma chance, mais um dia de conforto para meu filho.
Paguei pelo que o seguro não cobriu. Aprendi a cozinhar refeições macias o suficiente para ele engolir, a carregá-lo sem machucá-lo, a limpá-lo e banhá-lo com dignidade quando seu corpo já não obedecia aos seus comandos. Dormi numa cadeira ao lado da sua cama. Segurei sua mão durante as noites em que a dor não o deixava descansar, sussurrando histórias da sua infância, lembrando-o de que era amado, de que não estava sozinho. Terapia de casal.
