A menina de 13 anos foi expulsa de casa por estar grávida e, anos depois, retornou para chocar a todos.

“Não… não pode ser!” ela gritou. Correu para encontrar Dolores.

“Você de novo. Não culpe os outros. Você mesma provocou isso”, disse a senhoria, rispidamente.

Sofia voltou em silêncio. Ninguém acreditou nela. Ela abraçou a barriga no quarto frio e soluçou:

“Me perdoe, Anna. Eu não consegui te proteger.” Para onde iremos?

Ao amanhecer, ela saiu da pensão em silêncio e devolveu as chaves; a indiferença foi a única resposta. Caminhou por ruas familiares que agora lhe pareciam estranhas. Seu estômago roncava; suas pernas doíam. Encostou-se a uma parede de tijolos, ofegante; o vento gélido cortava seu casaco fino.

Numa esquina do mercado onde às vezes recebia restos de comida, desta vez ninguém a notou. O cheiro de pão fresco fez seu estômago revirar.

“Com licença… sobrou alguma comida?” perguntou com a voz rouca.

“Não tenho nada para você. Vá embora”, disse o vendedor com desdém.

Sofia baixou a cabeça, agradeceu apesar da humilhação e foi embora. Num parque, sentada num banco, abraçou a barriga, chorando silenciosamente.

“Anna… Me desculpe. O que eu fiz para merecer isso?”

Um grupo de crianças passou por perto; uma delas gritou:

“Olha a barriga dela, está gorda!” e riram. Outra atirou uma pedrinha. Sofia abaixou a cabeça e suportou. A dor dilacerava seu coração diante de tanta crueldade.

Ao cair da noite, ela continuou vagando até chegar a um canto entre prédios abandonados. Encolheu-se ali para se proteger do vento. A fome e o ar uivante a lembravam de que o mundo a havia abandonado.

Quando tudo parecia perdido, ela ouviu passos. Aproximaram-se e pararam diante dela.

“Sofia.”

Ela olhou para cima, com os olhos inchados. Era Margaret, o rosto marcado pela preocupação, ofegante, carregando uma lanterna e um guarda-chuva velho.

“Senhora… Margaret”, ela soluçou.

“Menina boba, você me assustou demais! Procurei por você em todos os lugares!” Ela se ajoelhou e acariciou o rosto de Sofia com as mãos trêmulas. “Por que você foi embora assim?”

“Eu não queria te causar mais dor”, disse Sofia, irrompendo em lágrimas.

“Você não entende? Vocês são minha família. Eu jamais os abandonaria, não importa o que acontecesse.”

Elas se abraçaram na escuridão; os soluços de Sofia se misturavam à garoa. Estavam tremendo, mas nos braços de Margaret, Sofia sentiu um calor que pensava ter perdido.

“Eu te disse: não se preocupe. Vamos superar isso juntas”, disse Margaret, com a voz embargada pela emoção. Sofia assentiu, os olhos marejados.

“Me desculpe… por ter ido embora sem dizer nada.”

“Não diga mais nada. O importante é que você está segura.”

Na manhã seguinte, elas voltaram para a pequena padaria. Embora a vida ainda fosse difícil, para Sofia agora era um lar. Margaret tirou o pó dos pães acumulados; Sofia a ajudou a assar, aprendendo aos poucos. “Eu vou ajudá-la, Ba. Nós vamos resolver isso”, disse Sofia, com um novo brilho nos olhos. Margaret sorriu pela primeira vez em dias. “É isso mesmo. Enquanto estivermos juntas, nada vai nos derrubar.”

Com o tempo, apesar dos olhares e sussurros, Sofia aprendeu a ignorá-los. Ela se concentrou no trabalho e em cuidar de Anna, a pequena vida que crescia dentro dela. O aroma familiar voltou a preencher a padaria, e alguns clientes retornaram. Atrás do balcão, os olhos de Sofia brilhavam de esperança.

“Obrigada… Margaret”, disse ela, olhando para a mulher que tinha sido tão forte por ela. “Eu não teria conseguido sem você.”

“Você é minha família, Sofia. Família permanece unida”, respondeu Margaret.

Sob aquele pequeno teto, elas viviam com simplicidade, apoiando-se mutuamente em todos os desafios. Treze anos se passaram desde aquela noite. Sofia se tornou uma mulher forte e independente. Com a ajuda de Margaret, ela superou o inimaginável e abriu um pequeno café nos arredores de Miami. Ela deu à menina o nome de Anna, em homenagem à filha: o maior orgulho de sua vida.

Anna, agora com 13 anos, era a cópia fiel da Sofia de outrora, mas com olhos cheios de inteligência e confiança. Ela ajudava no café com um sorriso radiante. Suas vidas eram simples, mas repletas de alegria e amor.

Certa manhã, enquanto Sofia limpava o balcão, Julia, uma antiga amiga de Margaret, entrou com algumas fotos antigas.

“Sofia, encontrei estas fotos enquanto limpava em casa. Veja como Margaret era linda quando jovem”, disse ela, com saudade.

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