E antes de continuar, deixe-me perguntar: o que você faria se seu próprio filho e esposa a excluíssem do casamento e depois exigissem as chaves da mansão de cinco milhões de dólares? Você cederia por amor? Ou finalmente se manteria firme? Se você quer saber como me mantive firme, como virei o jogo depois de décadas de exploração, acompanhe-me até o final. E se você acredita que nenhuma mãe deve ser tratada como uma conta bancária, compartilhe esta história, inscreva-se, deixe que outras pessoas saibam que não estão sozinhas. Seu apoio me ajuda a contar o que importa. Porque esta não é apenas a minha história. É a história de toda mulher que foi usada, descartada e que finalmente disse: basta.
Naquela noite, tranquei todas as portas e verifiquei duas vezes cada fechadura da minha casa.
Caminhei pelos corredores, as lembranças de Harold roçando em mim como sussurros. Parei na varanda, observando as ondas brilharem ao luar. Lembrei-me do sorriso zombeteiro de Monica, do silêncio de Ethan e das minhas próprias palavras: “Eu não te contei sobre a doença?”. Pela primeira vez em anos, não me senti desolada nem exausta. Senti que tinha o controle. Senti uma onda de energia. E sabia que aquilo era só o começo.
No dia seguinte à ligação de Monica, sentei-me à mesma mesa com um bloco de notas amarelo à minha frente. Pela primeira vez em anos, eu não estava preenchendo um cheque; estava somando cada centavo investido na vida de Ethan desde a faculdade. O número me encarava como uma piada de mau gosto. Trinta e seis meses de aluguel de US$ 1.800 somavam US$ 64.800. Minha mão tremia enquanto eu escrevia o número, não por causa da artrite, mas pela verdade. Então, somei US$ 7.200 da compra, US$ 3.500 de presentes e US$ 2.000 de consertos. Total: US$ 77.500.
Desabei na cadeira, encarando aquele número como se fosse uma lápide. Aquele valor representava meu amor transformado em dívida. Minha maternidade medida em recibos. Meu coração se despedaçou, mas minha raiva só aumentava.
Perto da janela, estava pendurado o vestido lavanda que eu havia comprado para Monica. Eu o deixara lá depois da prova, com preguiça de buscá-lo. As lantejoulas brilhavam fracamente à luz da manhã, zombando de mim. US$ 1.200 para ajudá-la a começar um novo capítulo com dignidade. E ela o começara sem mim, declarando-me uma estranha para a família. Em uma caixa no chão, um par de sapatos prateados, ainda embalados. Eu a imaginara caminhando até o altar comigo. Em vez disso, fiquei sozinha na minha cozinha, com números como minha única companhia.
Coloquei a mão no peito, repetindo para mim mesma: “Era um poço sem fundo”. A frase ficou martelando na minha cabeça. Quase conseguia ouvir a voz de Harold, calma e serena, me lembrando que amor sem respeito é mera caridade.
Com o gosto metálico ainda na boca, disquei o número de Ethan. Ele atendeu no terceiro toque.
“Mãe”, disse ele cautelosamente.
“Vamos deixar claro”, respondi. “Esta casa é minha. Sempre será. Se você e Monica estão pensando em se mudar sem a minha permissão, estão cometendo um erro.”
Silêncio. Então a voz dele suavizou. Ensaiada.
“Só pensamos que você gostaria de nos ajudar, mãe. Você sempre ajudou.” “É assim que a família é, não é?”
Fechei os olhos. “Família não exclui sua mãe de um casamento antes de exigir as chaves da sua casa.”
Um suspiro.
“Você está complicando as coisas mais do que o necessário.”
“Endurecida?” Quase ri. “Facilitei para você: setenta e sete mil e quinhentos dólares. Fácil. A máquina está quebrada. Não vou pagar mais nada.”
Ela desligou. O clique do obturador ecoou por um longo tempo. Tracei um risco grosso abaixo do total: 77.500 dólares. O preço do meu silêncio, da minha paciência, dos meus anos deixando que levassem tudo sem dizer uma palavra. Acabou.
A casa pareceu vibrar. Uma brisa passou pelas cortinas. Era como se aprovasse, como se sussurrasse que era hora de levantar, de traçar uma linha. Olhei para o vestido, os sapatos, os recibos. Relíquias de uma mulher convencida de que dar compraria amor. Essa mulher não existia mais.
