Durante o almoço de domingo, meus pais me perguntaram: “Seu irmão foi demitido, então você vai ter que pagar o aluguel dele.” Com o café na mão, respondi: “Ótimo, ele pode ficar com a sua casa, porque eu acabei de vender a minha.”

Durante o almoço de domingo, meus pais me perguntaram: “Seu irmão foi demitido, então você vai ter que pagar o aluguel dele.” Com o café na mão, respondi: “Ótimo, ele pode ficar com a sua casa, porque eu acabei de vender a minha.”

“Pai, você reconhece isso?” Ele apertou os olhos para examinar o papel.

“É… é uma escritura.”

“Uma liberação de ônus. Olha a assinatura”, apontei.

Ele olhou.

“É… é a minha. E a da Linda.”

“Você assinou isso há seis meses”, eu disse. “O Jason disse que era um formulário de proteção de propriedade para reduzir seus impostos, não foi?” Mamãe engasgou.

“Sim”, ela disse. “Ele disse que a prefeitura ia aumentar os impostos.” “Ele mentiu”, eu disse, encarando Jason, que agora procurava desesperadamente uma saída. “Ele te obrigou a dar a casa para ele. É uma casa unifamiliar. Você não é dono da sua casa, pai. O Jason é.”

“Isso é mentira!” Jason gritou, com a voz embargada. “Ela está mentindo. Ela falsificou o documento.”

“E este aqui”, eu disse, entregando o segundo documento ao meu pai, “é uma hipoteca do imóvel, registrada há três semanas por uma instituição financeira privada conhecida por seus empréstimos de alto risco e juros altos. Jason pegou um empréstimo de 50 mil dólares usando a casa como garantia.” “50 mil dólares?” Mamãe sussurrou, com as pernas bambearem. Ela se agarrou à borda da mesa para se endireitar.

“Onde está o dinheiro, Jason?” perguntei, caminhando até ele. “Você gastou com a marca ou perdeu no jogo? Porque sumiu tudo, e agora, como você não pagou, eles estão iniciando o processo de execução hipotecária. Eu vi a notificação de inadimplência ontem.”

“Execução hipotecária?” A voz do pai era um murmúrio grave, como um terremoto iminente. Ele ergueu os olhos dos papéis, arregalados de horror. “Jason, me diga que ela está mentindo.” “Não é o que você pensa”, gaguejou Jason, recuando com as mãos erguidas em sinal de defesa. “Eu tinha uma aposta certeira. Ia triplicar de valor. Eu ia quitar a casa e comprar um barco para eles. E então… o mercado quebrou.” “Você perdeu nossa casa apostando?” gritou a mãe. Não era choro. Era um grito dilacerante de pura traição. O grito cortou a música. Toda a recepção do casamento mergulhou em um silêncio sepulcral. Centenas de olhares se voltaram para o terraço.

“Mãe, fale mais baixo”, sibilou Jason, olhando em volta freneticamente.

“Você roubou nossa casa!” rugiu o pai, amassando o papel na mão. “Estamos sem teto. Não é sua culpa.”