Encontrei um pen drive dentro de uma salsicha comum. A princípio, pensei que tivesse caído acidentalmente na comida, até verificar o conteúdo.
Um solavanco forte e incomum. Como se eu tivesse batido em algo duro. Surpreso, puxei a faca para trás. Meu primeiro pensamento foi lógico: devia ter congelado um pouco durante a noite. A geladeira pode ser imprevisível.
Tentei novamente.
A mesma resistência.
Desta vez, a sensação foi diferente. Não era a dureza irregular de um alimento frio. Era… liso. Compacto. Anormal.
Aproximei-me.
No centro da fatia ainda úmida, algo refletia a luz. Um brilho metálico sutil.
Meu estômago se contraiu imediatamente.
A princípio, pensei que fosse um defeito de fabricação. Um fragmento de metal. Talvez uma peça de máquina, como às vezes vemos nos noticiários. Com cuidado, larguei a faca e usei os dedos para retirar o objeto.
Quando o tirei, senti uma náusea subir pela garganta.
Era um pen drive.
Um pen drive comum. Pequeno. Retangular. Encaixado no centro da linguiça, coberta de carne rosada e gordura. Como se sempre tivesse estado ali.
Congelei.
A lembrança me atingiu de repente: eu tinha comido daquele pacote. No dia anterior. Sem pensar.
