Uma onda de nojo me invadiu. Corri para a pia para lavar as mãos, como se o mero contato pudesse me contaminar. Então fiquei ali parada, curvada, respirando devagar, tentando entender.
Ontem, comprei um pacote de linguiças comuns na mercearia da esquina. Nada de especial. Não era uma marca artesanal, nem uma promoção estranha. Apenas um pacote simples, embalado a vácuo, destinado a acabar rapidamente entre duas fatias de pão.
De volta para casa, cortei um pedaço. Comi alguns pedaços, em pé na cozinha, sem pensar duas vezes. O resto foi para a geladeira, bem fechado. Tudo parecia perfeitamente normal.
Na manhã seguinte, ainda meio sonolento, decidi terminar o pacote para o café da manhã. Peguei uma linguiça, coloquei a tábua de cortar no chão e peguei a faca.
O primeiro corte foi tranquilo.
O segundo também.
Então a lâmina parou de repente.
Como um pen drive pôde ter ido parar dentro de um produto lacrado?
Não era brincadeira. Não era uma pegadinha. Ninguém tinha mexido na embalagem.
O nojo acabou dando lugar a algo mais perigoso: a curiosidade.
Limpei o pen drive o melhor que pude, sem realmente saber por quê. Ficava me dizendo que era uma bobagem, que eu deveria jogar tudo fora e ligar para o atendimento ao cliente. Mas minhas mãos estavam agindo por conta própria.
Conectei-o ao meu computador.
A tela piscou.
Apenas uma pasta apareceu.
Meu coração começou a bater mais rápido. Hesitei. Por um longo tempo. Então cliquei.
Dentro, havia apenas um arquivo.
Uma imagem.
Quando ela apareceu, soltei o mouse.
