rosto. Tirou uma pulseira de prata do bolso, um presente que lhe dera em seu último aniversário, e a segurou como se fosse a pequena mão da filha. “Você prometeu que nunca me deixaria, lembra? E agora eu não sei como respirar sem você”, sussurrou, com a voz embargada e os ombros tremendo. Por dentro, um turbilhão de pensamentos o consumia. E se ele tivesse ido com ela? E se ele tivesse chegado a tempo?
A culpa o atormentava. Sentia-se um pai fracassado, incapaz de proteger quem mais amava. Seu peito ardia com a mesma fúria que consumira a cabana. “Eu daria tudo, minha filha, tudo, se pudesse te abraçar mais uma vez”, confessou, olhando para o céu como se esperasse uma resposta. E foi precisamente naquele momento que o invisível aconteceu. A poucos metros de distância, atrás de uma árvore robusta, Isabel estava viva, magra, com os olhos marejados fixos em silêncio no pai.
