No funeral do meu marido, recebi uma mensagem de texto de um número desconhecido: “Ainda estou viva. Não confie nas crianças.” Pensei que fosse uma piada cruel.

Por que ele estava falando de dinheiro enquanto o pai lutava pela vida?

No terceiro dia, os médicos nos disseram que o estado dele era crítico.

“É muito improvável que ele recupere a consciência”, disseram. Meu mundo desabou.

Charles, no entanto, viu um “problema prático”.

“Mãe, o papai não gostaria de viver assim. Ele sempre dizia que não queria ser um fardo.”

Um fardo? Meu marido, o pai dele, um fardo?

Naquela noite, sozinha em seu quarto, senti seus dedos se moverem, apertando os meus; seus lábios tentavam formar palavras que não saíam. Chamei as enfermeiras, mas quando chegaram, não o viram.

“Espasmos musculares involuntários”, disseram.

Mas eu sabia. Ele estava tentando me dizer algo. Dois dias depois, ele se foi.

Os preparativos para o funeral foram uma correria, organizados com uma eficiência assustadora pelos meus filhos. Escolheram o caixão mais simples, a cerimônia mais curta, como se quisessem que tudo acabasse o mais rápido possível.

E agora, ao lado do túmulo dele, eu segurava o telefone com uma mensagem impossível.

Não confie nos nossos filhos.

Naquela noite, em nossa casa silenciosa e vazia, fui até a velha escrivaninha de madeira do Ernest. Encontrei as apólices de seguro. A principal havia sido atualizada seis meses antes, aumentando a cobertura de US$ 10.000 para US$ 150.000. Por que o Ernest fez isso? Ele nunca mencionou nada. Então, encontrei algo ainda mais perturbador: uma apólice de seguro de acidentes de trabalho de US$ 50.000 em caso de morte acidental no trabalho. Um total de US$ 200.000. Uma fortuna tentadora para alguém sem escrúpulos.

Meu telefone vibrou novamente.

Verifique a conta bancária. Veja quem está recebendo o dinheiro.

No dia seguinte, no banco, o gerente — que nos conhecia há décadas — me mostrou os extratos. Nos últimos três meses, milhares de dólares haviam sido sacados de nossa poupança.

“O marido dela veio pessoalmente”, explicou ele. “Disse que precisava do dinheiro para consertar a oficina. Acho que um dos filhos dele foi com ele uma ou duas vezes. Charles, eu acho.”

Charles.