Mas Ernest enxergava perfeitamente bem com seus óculos.
Naquela tarde, chegou outra mensagem: “O seguro foi ideia deles. Convenceram Ernest de que você precisava de mais proteção. Foi uma armadilha.”
Eu não podia mais negar as evidências: o aumento do seguro, os saques não autorizados, a presença de Charles.
Mas assassinato? Meus próprios filhos? O pensamento era um monstro que eu não conseguia suportar.
As mensagens continuaram a me guiar. “Vá até a oficina de Ernest. Olhe para a mesa dele.”
Eu esperava encontrar uma cena de destruição após uma explosão. Em vez disso, a oficina estava estranhamente limpa. Cada máquina em seu lugar, intacta. Não havia sinais de explosão. Em sua mesa, encontrei um bilhete, escrito à mão por ele, datado de três dias antes de sua morte:
“Charles insiste que preciso de mais seguro. Ele diz que é para Margot. Mas algo está errado.”
E então, um envelope lacrado com meu nome. Uma carta do meu marido.
Minha querida Margot,
Começou. Se você está lendo isto, significa que algo aconteceu comigo. Charles e Henry estão muito interessados no nosso dinheiro. Ontem, Charles me disse que eu deveria me preocupar com a minha segurança, que na minha idade qualquer acidente poderia ser fatal. Parecia uma ameaça. Se algo me acontecer, não confie em ninguém.
Nem mesmo em nossos filhos.
Ernest pressentiu a própria morte iminente.
Ele viu os sinais que eu, cega pelo amor de mãe, me recusei a ver. Naquela noite, Charles veio me visitar, fingindo preocupação.
“Mãe, o dinheiro do seguro… está sendo processado. Serão duzentos mil dólares.”
“Como você sabe o valor exato?”, perguntei, com a voz perigosamente calma.
“Bem, eu ajudei o papai com a papelada”, mentiu ele, sem muita convicção. “Queria ter certeza de que você estaria confortável.”
Então, ele começou um discurso ensaiado sobre como eles “administrariam” meu dinheiro, como eu deveria me mudar para um asilo. A morte do pai deles não era suficiente; eles planejavam roubar tudo o que me restava.
